domingo, 11 de março de 2012

A apneia e os portões eternos

Momentos de solidão me trazem um amargo sabor que vem do estômago, seca minha garganta, isola meus pulmões...

Em um fascinante entardecer vejo clarões em tons alaranjados, avermelhados e amarelos, não creio em final feliz, creio em longevidade.
Tudo que vem do bom dura menos, porém aquilo que é mais sofrido tem sabor de amora silvestre colhida em mata verde irradiante... A acidez de suas palavras me corta a respiração rasgando em mil partes minha alma, rezo para que algum dia você possa ser perdoado de todas as farsas e injúrias cometidas à aqueles que lhe entregaram o coração, vejo passistas... Dois pra lá e dois pra cá, é a valsa fúnebre que me acompanha desde aquela manhã nebulosa, sobre o velho carvalho, onde um ato ilícito fora cometido contra minha reputação, meu ego declarou guerra ao seu desdém, flores foram partidas, porcelanas lançadas ao vento, a seda rasgada junto aos lençóis egípcios jamais terão o mesmo prestígio... Choram as rosas, as tulipas, os lírios e os cravos, houve amor assassinado!

Tardes vazias, noites sem fim, dias de glória que não voltam mais, a apnéia me faz mergulhar em um mundo de fontes ancestrais, de pasto virgem. Sinto-me como no paraíso.

Roleta Russa


E nesse tango certeiro,

Bailamos diante a morte,

Gozando de luxúria, sedução e poder...
.
Oh roda da morte que puxa o gatilho,

Acerte-me na alma

e deixe-a na porta de qualquer paraíso perdido.

Victor Valle